A maioria dos Natais da minha infância passei na casa dos meus avós maternos, no Rio.
Desta época trago algumas recordações, aquelas coisas que parecem que nem aconteceram mas com o passar do tempo vão ganhando uma importância enorme nas nossas lembranças.
As castanhas e nozes que quebrávamos fechando a porta, o tema de Natal da Globo - “Hoje é um novo dia...” - que minha mãe e minha avó iam copiando a letra aos poucos cada vez que tocava, as bolas de natal com formatos variados que a cada Natal diminuíam. Eram de vidro acho, tão fininho que só de segurar para por na árvore já quebravam. O peralta, cachorro que minha avó tinha e que era muito chato, rosnava e latia para todo mundo, até para o meu avô.
Mas com certeza o que mais ficou gravado foi a morte do “seu” Robson, um vizinho.
Ele era motorista de táxi e voltando para casa levou uma fechada de um ônibus e caiu com o carro dentro de um rio. Naquela época no quarteirão inteiro só tinha um telefone, justo na casa dos meus avós e é claro que foi lá que se recebeu a notícia. Ainda vejo o telefone tocando (tocava o dia inteiro, mais para os vizinhos que para nós mesmos), meu avô atendendo (ele não gostava de dar recados ou chamar ninguém, então já atendia para dispensar quem estivesse chamando) e mudando de comportamento enquanto ouvia o que falavam. Desligou e foi conversar com a minha avó para sair logo em seguida sem falar nada, sério.
Passado um tempo começa um alvoroço, a Dª Amélia, esposa do Sr. Robson, gritando e chorando. Os vizinhos saindo das suas casas sem entender o que estava acontecendo, parando na frente da nossa procurando por informações.
Não lembro em que ano isso aconteceu e nem minha idade, mas devia estar com 9, 10 anos e naquele tempo isso ainda era criança. Foi talvez o meu primeiro contato com a perda de uma maneira mais próxima. Já tinha presenciado outras, a dos meus avós paternos, mas era menor e não chegaram a me marcar tanto.
Eu sei que pode não parecer muito adequado falar disto nesta época do ano, quando devemos espalhar alegria, paz e esperança aos homens de boa vontade, mas hoje, com 47 anos, vejo o quanto vale mais a presença de alguém que gostamos, seja sentado à mesa do nosso lado ou no pensamento, na lembrança, no desejo que aquele amigo esteja bem, comemorando e sorrindo.
Saibam todos que passarem por aqui, sejam amigos reais, virtuais, ou futuros, que um pedacinho de mim estará com vocês sempre.
Feliz Natal.
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